domingo, 21 de setembro de 2014

A profissionalização do RAP.

Salve!

Caros, é com imensa satisfação que retorno a esse espaço, é verdade que nunca escrevi com frequência e por muito tempo abandonei o blog, avaliando de forma sincera, não disponho de muito tempo.

Na intenção de manter o blog atualizando e fazer a coisa da forma que acho que deve ser feita, com pesquisas e reflexões afim de entregar o melhor material possível, resolvi colocar como meta ao menos um post semanal, normalmente aos domingos, a medida que a coisa for engrenando e eu dispondo de tempo, aumentarei o ritmo.

Quero nesse post discorrer sobre uma questão que tenho discutido e conversado muito com amigos mais próximos, trata-se da profissionalização do RAP. A palavra profissionalização vem de profissionalizar que é tornar profissional, tornar em profissão, e profissão segundo o dicionário  Michaelis em uma das suas definições é:

"Ocupação, emprego que requer conhecimentos especiais e geralmente preparação longa e intensiva; ofício.

Até chegarmos no cenário atual, muitos vieram, alcançaram ou não algum destaque independente do discurso e intenção, e foram importantes, pois tudo foi tentativa, de ganhar espaço, difundir ideias ou apenas se divertir, uns foram melhores sucedidos que outros e quem teve a oportunidade de viver, acompanhar, ou ouvir de alguém que estava no início da coisa a maneira que isso aconteceu e como funcionava, é de fato privilegiado.

Privilegiado porque conseguiu ver ou ouvir de quem tava lá como as coisas eram mais difíceis no sentido de se posicionar para o grande público e não apenas o nicho habitual da época por conta de não existir ninguém que houvesse trilhado esse caminho antes, havia o preconceito de raça (e ainda há) e gênero musical, falta de espaço nas mídias, e quando havia alguma oportunidade, havia a falta de preparo e experiência em lidar com ela, o medo da distorção do discurso e preconceito interno dos próprios rappers, mc's e fãs com aqueles que ousavam cruzar essa linha.

No contexto geral da música, nesse momento não estou falando especificamente do RAP, era menos trabalhoso para os artistas porque muita coisa na música ainda estava sob os domínios de grandes gravadoras, existia um padrão de mercado onde artistas que possuiam algum contrato com uma gravadora/selo eram responsáveis apenas por interpretar, compor e ou arranjar suas obras e entregar alguns discos conforme o contrato. A carreiras desses artistas eram gerenciadas por essas gravadoras/selos que ficavam com maior parte de tudo que arrecadavam com shows, além dos direitos sobre os fonogramas e royalties sobre vendas de discos, obviamente elas tinham grande influência no destino dos artistas, para o bem e para mal.

Quando esse modelo vigente na época caiu, muitos artistas perderam o rumo, gravadoras faliram e ou foram vendidas para outras, as vendas de CD's começavam a  ser prejudicadas pela popularização dos gravadores de CD's, a pirataria tanto física, quanto posteriormente a on-line que acabou dominando após o boom da internet e dos softwares com base em arquitetura P2P como Nepster, Kazaa, Soulseek, Emule entre outros possibilitando a troca direta de arquivos de mídia entre usuários, se tornaram normais a ponto de CD's virarem meros cartões de visitas representando quase nada na receita dos artistas atualmente, isso sem contar o streaming que hoje nos da uma biblioteca quase que infinita, organizada e atualizada de forma gratuita ou mediante ao pagamento de pequenas mensalidades em troca de recursos como poder escutar sua playlist offline como acontece no Spotify Premium que custa R$ 14,90/mês (mais barato do que o preço que pagávamos em alguns CD's), até mesmo o iTunes no que diz respeito a venda de músicas, no formato que está, acredito já ter dias contados com a chegada do Apple Music.

O RAP aqui no Brasil sempre esteve as margens da industria e dos padrões, quando começou a ganhar força nos meados dos anos 90 foi se fortalecendo nos moldes antigos do mercado já decadente e na metade dos anos 2000 o shows deram uma estagnada.

As pessoas que enxergaram essas mudanças, perceberam que agora era hora de ser totalmente independente, de repente até constituir empresa, aprender a lhe dar com a parte burocrática da coisa, saber ler um contrato, entender alguns termos, ser protagonista no destino do novo negócio da música, hoje fazer parcerias com empresas, usar ferramentas como editais de cultura, estar mais próximo dos fãs via redes sociais e ter uma presença online, associar marcas e assessórios ao nome do artista, conhecer e ficar atento as novas ferramentas de distribuição digital, conhecer sobre monetização no Youtube e principalmente direitos autorais, sincronização etc é uma obrigação para quem quer sobreviver no mercado.

Está claro que, embora muita coisa está mais fácil por conta da informação disponível na web e a facilidade de trocar informações e experiências, por outro lado agora sendo independente tem se muito mais trabalho e coisas a aprender, hoje o artista responde a sí mesmo, quer resultados? Cobre a si próprio!

Muitos no RAP citam o famoso verso do Sabotage "Rap é compromisso...", mas ainda precisam responder para si uma pergunta crucial para saber se entram ou não no game, que tipo de compromisso é esse, um hobby ou realmente quero viver disso? Com base nessa resposta será traçada a forma que ele vai conduzir seu caminho.

Quem realmente leva a sério a música como meio de vida, fonte de renda e sustento da família tem a obrigação de se profissionalizar, é necessário investir e inovar nos shows com frequência, porque ele é uma das principais fonte de renda dos artistas além dos diretos de autor e execução pública, e sincronização, por enquanto os show ainda requerem a presença dos artistas e suas performance, mas a tecnologia está tão avançada, já temos projeções holográficas e transmissões ao vivo, temo que talvez a presença dos artistas já não seja mais necessária com o tempo, então esteja preparado, saiba cuidar da sua obra e conheça seus direitos.



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