Eterno B.Boy.

Ainda me lembro de quando gravavamos as fitas cassetes. Esperavamos ansiosos pelos programas de rádio favorito, normalmente alguma rádio comunitária com algum problema na sintonia, tinhamos que ficar testando a antena em todas a direções além de ficar rodando com precisão quase que cirúrgica os knobs sintonizadores até conseguirmos um boa transmissão.

Só tinhamos as Grandes Galerias no centro como lugar para colher referências e nem todos conseguiam sintonizar MTv, haviam algumas rádio legais como a Lider fm que tinham programas de Rap mas nem sempre tocavam as pedradas que queriamos ouvir.

Quando conseguiamos gravar uma música nova ou uma nova vesrão de alguma já conhecida rodavamos a fita o dia inteiro até decorarmos a letra pra poder sair cantando primeiro por ai.
Não tinha dinheiro para um Adidas ou All Star então usava um "Bamba cabeção" eu tinha um fat lace amarelo trançado de modo que um laço grande ficasse na ponta do tênis proxímo ao bico, vestia calças Tactel, Moletom ou de Elanca, aquelas de escola com 1 ou três linha do lado de fora das pernas, havia o espirito do Hip Hop, eramos B.Boys.

Ansiávamos por cada roda de break para aprendermos os movimentos, por cada passada na Santa Ifigênia para simplesmente olharmos os tocas discos sonhando em um dia ter um par deles com um mixer decente, dedicavamos a cantar e compor trancados no quarto, e as bases, as bases eram feita com o que tivessemos em mãos, teclados amadores ou de brinquedo, toca discos três em um.

Nós iamos as festas e esperavamos por apenas uma ou 2 músicas a festa inteira para darmos nosso melhor na roda usando alguns poucos movimentos que haviamos aprendido. Dormiamos Hip Hop, comiamos Hip Hop, respiravamos Hip Hop nós eramos o Hip Hop.

Hoje me casei, tenho duas meninas, trabalho na área de Técnologia da Informação, sinto falta disso tudo, mas ainda carrego o standart gritando que a "Rua é Noiz" é isso irmão sou um eterno B.Boy.

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